Confira fotos da MOSTRA CINE de novembro
Fotos por Henrique Fortes




















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Arthur Veríssimo lança “Karma Pop” nesta
sexta-feira na Fnac Porto Alegre

Nesta sexta-feira, dia 19, a Fnac e a Editora Master Books promovem o lançamento de “Karma Pop”, primeiro livro do jornalista Arthur Veríssimo, expoente do chamado Jornalismo Gonzo e colaborador da Revista Trip desde 1986.

“Karma Pop” reúne textos e fotografias tiradas pelo autor em suas 17 viagens à Índia, onde participou de diversos festivais e circulou entre saddhus (monges), sikhs (minoria religiosa indiana), gurus e discípulos dos deuses Shiva, Vishnu, Hanuman, Ganesh, Parvati, Krishna, Durga… O projeto editorial e a edição de imagens são do fotógrafo Rui Mendes.
O bate-papo com o autor terá início às 19h30 no auditório da Fnac Porto Alegre (Av. Diário de Noticias, 300 – Loja 1121 – BarraShoppingSul) e a entrada é franca.
Imperdível!
Informações:
comunicacao.ljportoalegre@fnac.com.br
51 3396 2000
(via Freak!)
Uma nova aventura pelo sertão no encerramento
da MOSTRA CINE

Texto: João Carlos Sampaio* | Fotos: Gil Vicente @ 2003
Um comerciante que usa o cinema como meio publicitário para vender aspirinas sob o céu do sertão ensolarado, sem nuvens e povoado por urubus. Daí surge o título Cinema, Aspirinas e Urubus, do cineasta pernambucano Marcelo Gomes, que será exibido hoje, às 20h, na MOSTRA CINE-NH.

Cinema, Aspirinas e Urubus é um road movie, lançado no Festival de Cannes em 2005, sinaliza a maturidade cinematográfica de uma geração e aposta no humor singelo, sustentado por uma espécie de “causo” típico do interior. Apresenta uma impressionante fotografia de tons alaranjados, que traduzem o calor do sol escaldante e os cenários amplos do sertão. Prima por diálogos bem concebidos e pela atuação impecável da dupla central de atores, o alemão Peter Ketnath e o baiano João Miguel, de Estômago.

A fotografia, assinada por Mauro Pinheiro, é talvez a maior virtude deste filme, que começa com uma imagem totalmente estourada pelo o excesso de luz, para progressivamente, dar correção e foco, revelando uma paleta de cores com variação entre o dourado e o ocre. Dos tons amarelados aos esbranquiçados, muito contraste para evocar a luminosidade do semi-árido.

A trama confronta dois personagens bem distintos, dois mundos que se encontram no Brasil do início dos anos 1940. Um deles é um alemão fugido da guerra (Ketnath), que, a bordo de um caminhão, se embrenha pelos bretões do semi-árido pernambucano para vender analgésicos, usando como chamariz para o seu comércio um equipamento de projeção.

Durante as andanças do alemão, surge um matuto (João Miguel), que se torna ajudante, alimentando o sonho pessoal de um dia viajar com o novo patrão rumo à cidade grande, quem sabe, o Rio de Janeiro. Esse par improvável vai resultar numa forte amizade, capaz de superar todas as diferenças, numa aventura que prima pelo olhar humanista.
Com equilíbrio entre forma e fundo raro para um estreante, Marcelo Gomes realizou uma das melhores abordagens do sertão nordestino e um dos grandes momentos do cinema brasileiro atual.
*Jornalista e crítico de cinema. Escreve para veículos impressos e atua também como comentarista em programas de rádio e TV.
“Escola de Berlim” e “Geração Migrantes” dão
rosto ao atual cinema alemão

Cena de “Férias”, de Thomas Arslan, que será exibido no domingo, dia 14h, às 14h
Entre os temas preferidos pelos diretores da “República de Berlim” (“inaugurada” em 2000, com a mudança de governo para a cidade) estavam, entre outros, as desventuras de uma geração pós-feminismo (Mulheres, 1993, de Katja von Garnier), muitas vezes emolduradas por dramas pessoais. Assuntos de ordem política perderam, na década de 1990, espaço no cinema do país.
As “comédias de costumes” se mostraram como uma das formas prediletas dos diretores, nitidamente tendentes a road movies centrados em protagonistas que relutam em se tornar adultos. O sucesso de público, nesse momento, passou a depender muito mais dos atores do que dos diretores, o que significou um adeus definitivo à “era do cinema de autor”.
História passada a limpo

Wolfgang Becker, diretor de “Adeus, Lênin!”, em cartaz no domingo, dia 14, às 18h
O passado histórico, entretanto, continuou sendo uma das temáticas presentes a partir dos anos 1990. O regime nazista foi retomado em alguns filmes, embora maquiado por efeitos especiais: a história embalada como entretenimento para o grande público. O ápice desta tendência veio em 2004 com A Queda, de Oliver Hirschbiegel, uma superprodução baseada nos últimos dias de vida de Hitler e voltada para o grande público.
Outra corrente passou a limpo o passado da República Democrática Alemã (RDA), de regime comunista, destacando-se aqui os populares Alameda do Sol (1999), de Leander Haussmann, e Adeus, Lênin! (2002), de Wolfgang Becker. Anos mais tarde, em 2006, A Vida dos Outros, de Florian Henckel von Donnersmarck, viria a tratar mais uma vez do assunto, tendo se transformado em sucesso absoluto de público dentro e fora do país, além de ter levado o Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro.

Florian Henckel von Donnersmarck nas gravações de “A Vida dos Outros”
Identidades
A construção de uma nova identidade coletiva e o conceito de nação são também alguns dos temas delineados pela cinematografia alemã nos anos 1990. Seja no delírio de um submundo urbano em Sombras da Noite (1998), de Andreas Dresen, através das gruas de Berlim – que simbolizaram a reconstrução do país em A Vida é Tudo que Temos (1996), de Wolfgang Becker – até o mosaico de citações pop em tom de videoclip do grande sucesso de público da década: Corra, Lola, Corra (1999), de Tom Tykwer.

Baki Davrak e Nursel Köse em “Do outro lado”, em exibição na segunda, dia 15, às 16h
No festival de cinema de Berlim de 2004, o alemão de ascendência turca Fatih Akin recebeu, aos 30 anos, o Urso de Ouro por Contra a Parede, consolidando um segmento do cinema alemão nitidamente impulsionado por uma geração de filhos de imigrantes no país. A temática que nos anos 1980 havia sido tateada pelo cinema do país (ou talvez já a partir de 1974, como O Medo Devora a Alma, de Fassbinder) torna-se mais presente que nunca.
“Migrantenkino”

O diretor Fatih Akin, que terá três grandes sucessos de sua carreira exibidos na MOSTRA CINE: Em Julho, Rápido e Indolor e Do Outro Lado. Às 16h
Os cineastas de ascendência estrangeira, em sua maioria já na terceira geração no país, dão início ao que passa a ser chamado de Migrantenkino, ou seja, cinema dos migrantes. Fascinados pela interseção entre culturas distintas, estes diretores não poupam críticas nem à Alemanha nem ao universo cultural dos países de origem de seus pais. Ao lado de Akin (que viria a produzir, entre outros, Do Outro Lado), destaca-se aqui o trabalho de Thomas Arslan (filho de pai turco e mãe alemã) em Dealer, de 1999, Irmãos (2000), O Belo Dia (2002) e Férias (2006).
Não apenas Akin e Arslan, mas todos os cineastas alemães de origem turca no país refletem em seus filmes aspectos ligados às suas próprias biografias. No lugar de um olhar que idealiza uma ou outra cultura, estes diretores optam por explicitar na tela a aspereza do contato com o Outro, que nem sempre se dá de maneira fluida.

Thomas Arslan, diretor de “Férias”
Estes “filmes de migração” retratam com freqüência as dificuldades e os mal-entendidos em que imigrantes se envolvem, as desventuras no contato com departamentos públicos e autoridades, o próprio cruzamento de fronteiras e a vida nos guetos de estrangeiros das grande cidades.
Mantendo uma espécie de “olhar estrangeiro” voltado para os dois lados, eles escancaram as feridas do migrante que insiste em suas próprias tradições, mesmo longe de sua terra natal, e a falta de abertura daquele que recebe, ancorado em seus próprios preceitos e cerrado em relação ao Outro.
Nouvelle Vague alemã?
Foram críticos de cinema franceses que deram início, a partir de 2003, ao debate em torno de um grupo de cineastas rotulado, a princípio, de Nouvelle Vague alemã. O conceito foi transformado pela mídia alemã em Berliner Schule (Escola de Berlim), embora uma “escola” o grupo de cineastas mencionados jamais tenha formado.
Eles tampouco vêm de uma mesma instituição entre as muitas que ensinam cinema no país. O que os une neste contexto é o fato de que todos freqüentaram alguma escola de cinema, não importando qual. E não são “aprendizes da prática”. Distantes do improviso, possuem um olhar educado, estetizado pelo cânon cinematográfico. E não necessariamente se inspiram na tradição do cinema alemão, mas na obra de diretores como Michelangelo Antonioni, Robert Bresson ou Luc Dardenne.
Afinidades estéticas
Alguns dos nomes que compõem a Escola de Berlim nem ao menos conhecem seus “colegas” pessoalmente: enquanto Christian Petzold e Angela Schanelec estudaram na Academia de Cinema e TV de Berlim (DFFB), Benjamin Heisenberg e Christoph Hochhäusler passaram por Munique. Já Valeska Grisebach estudou em Viena.

A diretora Angela Schanelec
O que une esses cineastas de origens distintas é certa afinidade dramatúrgica e estética: a aversão à construção tradicional de personagens, o olhar voltado para uma realidade áspera, cenários frios e a coragem de optar pelo silêncio, a fim de deixar claro o estado de abandono e solidão dos protagonistas, em sua maioria situados no espaço anônimo da grande cidade.
Destinos incertos
O olhar da Escola de Berlim mantém-se distanciado. Mesmo quando os filmes giram em torno de personagens à margem da sociedade, o fotógrafo (e por conseqüência o espectador) não se envolve diretamente, permanecendo na condição de observador.

Em tom sóbrio, estes cineastas tendem a não encontrar soluções para os conflitos que imprimem a seus personagens. Como no caso de Fantasmas ou Yella, de Christian Petzold, e Adormecido, de Benjamin Heisenberg, não há mais finais felizes, nem sombrios, mas simplesmente abertos. Incertos, como os destinos reais.
por Soraia Vilela
MOSTRA CINE-NH promove exibição de
filmes inéditos em Novo Hamburgo
De 13 a 15 de novembro, acontece em Novo Hamburgo a MOSTRA CINE-NH, maior mostra de cinema que a cidade já recebeu.
O evento, produzido pela Freak! Produtora com patrocínio da Jägermeister, acontecerá no Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno (Rua Eng. Inácio Cristiano Plangg, 66 – Centro – Novo Hamburgo – RS) e tem o objetivo de nutrir a comunidade hamburguense e demais cidades do Vale dos Sinos com o que há de melhor na Sétima Arte, de forma gratuita, estimulando o cinema como objeto de consumo cultural e apresentando uma programação inédita na região.
Nesta edição a curadoria do evento, que é assinada por Alê Cartier, será dividida em quatro circuitos de exibição:
Mostra Especial – Escola de Berlim e Geração de Migrantes do Cinema Alemão (sessões às 14h, 16h e 18h)
Em co-realização com o Goethe-Institut, apresenta uma grade sensacional formada por grandes filmes da “Nouvelle Vague” alemã. Títulos como “Flores de Cereja – Hanami”, de Doris Dörrie, vencedor de Melhor Filme no Bavarian Film Awards e no 58º Festival Internacional de Cinema de Berlim, e “A Onda”, de Dennis Gansel, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrageiro em 2009.

CINE Brasil! (sessões às 20h)
Com vista na maioria das obras audiovisuais produzidas no país que permanecem inéditas para grande parte da população, um dos principais objetivos da MOSTRA CINE é priorizar a produção brasileira. Destaque para o polêmico “Do Começo ao Fim”, de Aluízio Abrances, e “Árido Movie”, de Lírio Ferreira.

Mostra Música do Mundo (sessões às 22h)
Documentários, curtas e longas-metragens de ficção, gravações de shows de bandas e artistas consagrados traçam um panorama da história da música e sua influência na estética e na cultura mundial. Destaque para “Control – A História de Ian Curtis”, drama biográfico que conta uma versão particular tanto da carreira quanto da vida pessoal do genial vocalista e líder de uma das maiores bandas da história do rock, o Joy Division. O filme é o maior recordista de prêmios no BAFTA (The British Academy of Film and Television Arts) de todos os tempos.

Sessão da Meia-Noite (sessões às 0h)
Retrospectiva com a clássica trilogia que imortalizou José Mojica Marins como Zé do Caixão.

A programação é gratuita, com contribuição espontânea de 1kg de alimento não-perecível e os ingressos podem ser retirados meia-hora antes de cada sessão.
Você será redirecionado ao twitter e para concorrer é só tuitar a mensagem que estará lá na sua caixa. Simples assim! Não esqueça de destravar sua conta, caso seu twitter tenha cadeado, e não vale usar o botãozinho de RT.
O sorteio rola na quarta, dia 17, e o ganhador precisa OBRIGATORIAMENTE ser follower da @MostraCineNH.
Boa sorte!
Quer a versão de bolso da programação pra não perder nenhum filme?
Baixe o arquivo aqui!
Agora é só imprimir ou, se você quiser um melhor acabamento, mandar pra gráfica expressa de sua preferência. As dimensões da Programação de Bolso da MOSTRA CINE são de 15 x 9 cm.
E aproveitando que hoje é sexta-feira e dia de Follow Friday no Twitter, siga a MOSTRA e nos indique por lá: @MostraCineNH. ;)
Hoje é Dia do Cinema Brasileiro!!!

Glauber Rocha, grande diretor do Cinema Brasileiro
Mudo, falado, longo, curto, documentário ou de animação, todos esses modelos representam as maneiras de se produzir a ‘sétima arte’. O cinema pode ser traduzido apenas como a técnica de projetar imagens para criar a impressão de movimento. Entretanto, a arte da indústria cinematográfica afeta diretamente a ligação de diferentes culturas através do entretenimento, além de ter também a função de educar, dialogar, divertir e até mesmo doutrinar.
Hoje, cinco de novembro, é o Dia do Cinema Brasileiro, momento de direcionar os olhares à sétima arte nacional e enfatizar as produções que se destacam cada vez mais no cenário cinematográfico do mundo. Marcado pelo impulso do Cinema Novo e também pela crise da primeira metade dos anos 90, o cinema nacional experimenta uma nova fase desde o lançamento de Carlota Joaquina, em 1995.

A atriz Marieta Severo como Carlota Joaquina
Produções como Abril Despedaçado, de Walter Salles, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, Carandiru, de Hector Babenco e Tropa de Elite, de José Padilha, alcançaram grande público nas salas de exibições brasileiras e segundo especialistas, geraram perspectivas de carreira internacional.
O Brasil tem hoje destaque para o número de eventos cinematográficos brasileiros: segundo o Fórum dos Festivais, criado em 2000 por cineastas e produtores, o número de eventos cresceu cerca de 40 % nos últimos anos, e hoje são mais de cento e setenta em todo o país.
Um pouco de história
O cinema brasileiro surgiu no final do século XIX e as primeiras imagens produzidas eram registros documentais da vida urbana daquela época. Em 19 de julho de 1898, Alfonso Segreto, que era dono de uma sala de exibição em São Paulo, produziu a primeira tomada cinematográfica brasileira. O trabalho foi feito a bordo do navio Brésil e documentou a entrada deste na Baía de Guanabara.

Alfonso Segreto e sua parafernália cinematográfica em 1898.
Entre os dias 13 e 15 de novembro serão exibidos alguns sucessos do Cinema Brasileiro no circuito CINE Brasil! da MOSTRA CINE-NH, sempre às 20h: Do Começo ao Fim, de Aluízio Abranches, Árido Movie, de Lírio Ferreira, e Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes. Além disso, em uma espécie de homenagem a José Mojica Marins, haverão exibições à meia-noite da trilogia de filmes que imortalizou o diretor como Zé do Caixão.
Aprecie o Cinema Brasileiro!